Como proteger minha saúde mental? Atitudes que você pode ter e são fontes de proteção

Atualizado: 2 de mar.



A vida mudou. Quando olho para o quotidiano das mulheres, vejo todos os papéis sociais que elas assumiram, desejando ou não esses papéis. Ela é filha, esposa, mãe, profissional, cuidadora, cidadã, e ainda precisa de atender aos ditames dos padrões de beleza definidos pela sua cultura. Este quotidiano influencia diretamente o bem-estar e a saúde psíquica da mulher, produzindo sofrimento em muitos casos.


Com a pandemia nos últimos anos a sobrecarga feminina aumentou. A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez vários alertas sobre os cuidados com a saúde das mulheres e a sobrecarga de trabalho e responsabilidades. É importante dizer que estar doente e estar saudável se relaciona diretamente com os aspectos psicológicos, biológicos e sociais da vida. Cada um destes aspectos contribui de forma importante para a promoção de saúde ou para a carência desta.


Algumas pesquisas mostram que no quotidiano das mulheres podemos encontrar tanto fatores que protegem o psicológico feminino quanto também fatores de risco, que podem provocar sofrimento e alterações na saúde mental. Fatores de risco são elementos (atitudes, comportamentos, situações sociais, grupos, entre outros) que aumentam o risco de desenvolver determinada doença quando a pessoa é exposta a eles. Um exemplo são os múltiplos papéis sociais femininos que citei acima e que podem levar a pessoa a adoecer com o stress.


Quando falo de fatores que podem causar danos à saúde mental das mulheres, três temas se destacam: maternidade, sexualidade e trabalho. Alguns fatores de risco que vem desses três temas: Estado civil da mulher e a qualidade desta relação; número de filhos – quanto mais, mais probabilidade de adoecer; ter vivido violência física e/ou sexual; nível de escolaridade sendo o analfabetismo maior risco; casamentos arranjados (em culturas que essa prática ainda existe); sexualidade restrita e reprimida num modelo heteronormativo.


Para lidar com os fatores de risco sem desenvolver alguma doença, precisamos de identificar e de promover os fatores de proteção. Os fatores de proteção são recursos pessoais e sociais que amenizam ou neutralizam o impacto do risco. Um exemplo: pesquisas indicam que ter uma rede de apoio e um autoconceito positivo são elementos fundamentais para enfrentar efeitos do stress e proteger a saúde mental.


Há diversos fatores de proteção nas três esferas da vida (psicológico, biológico e social) que preservam e fortalecem a saúde mental. Abaixo apresento várias atitudes para colocar em prática e cuidar da sua saúde mental. Há sugestões para começar agora, como também algumas para médio e longo prazo.


Atitudes a curto prazo: para começar agora

1 – Cuide da sua alimentação: Comer bem não tem a ver apenas com a boa forma física, mas com o bem-estar geral, garantir nutrientes e vitaminas, entender o que não faz bem ao seu corpo.

2 – Pratique atividades físicas: pesquisas comprovam o benefício para a saúde mental de atividade física regular, mesmo que por apenas 30 minutos três vezes por semana.

3 – Prioritize o sono: é muito importante dormir bem, tendo uma boa rotina de sono. Noites mal dormidas agravam os transtornos mentais/emocionais.

4 – Tenha momentos dedicados às pessoas que lhe são queridas: conviver com amigos, familiares e pessoas que nos fazem bem.

5 – Reserve um tempo para o lazer: lazer são as atividades que te deixam feliz. Ler, dançar, desenhar, jogar e o que mais puder diminuir a atenção para pensamentos de preocupação e obrigação do dia a dia.


Atitudes a médio prazo: hábitos a desenvolver

Essas atitudes precisam de tempo para serem desenvolvidas. Pode identificar quais você possui e quais precisam de promover. Nem sempre é desenvolvê-las. Uma Psicóloga é o melhor profissional para ajudá-la a desenvolver essas habilidades.

6 - Habilidades sociais de resolução de problemas: identificar como os conflitos o(a) afetam e qual a estratégia mais útil de lidar com eles.

7 - Gerenciamento de stress: saber como administrar o stress envolve minimamente conhecer o nível de stress da sua vida, qual o nível de stress que você pode vivenciar sem adoecer e quais medidas preciso tomar para isso.

8 – Conheça-se a si mesmo(a): existem várias formas de se conhecer como terapias, meditação, teatro, atividades lúdicas, self-care.

9 – Permita-se sentir: É importante aceitar todos os seus sentimentos. A nossa cultura impõe que não é bom sentir raiva ou tristeza, mas permitir sentir é a única forma de aprender a superá-los.

10 - Autocontrolo: identificar a forma mais saudável de lidar com as emoções, especialmente as negativas.


Atitudes a longo prazo: cuidados com impacto na vida toda

O nível de escolaridade e a ocupação das mulheres faz muita diferença na promoção de saúde psíquica ao longo da vida. Se você não está satisfeita com esses dois pontos na sua vida, saiba que melhorá-los pode também contribuir para a proteção de sua saúde mental.

11 - Educação: A educação formal (mínimo de oito anos de escolaridade) gera habilidades cognitivas, assertividade e capacitação para tomada de decisão. De acordo com pesquisas, mulheres que têm acesso à educação estarão mais protegidas das doenças como depressão e ansiedade porque podem ter maior autonomia, controle da fertilidade, qualidade na alimentação e bem estar económico e social.

12 -Trabalho: O trabalho muitas vezes pode proporcionar à mulher uma rede de apoio social mais ampla, além disso, o stress e as tensões da vida doméstica podem ser diluídas quando se tem interação com um ambiente social mais amplo. O trabalho pode promover na mulher independência financeira - da família e/ou do cônjuge; pode contribuir de forma positiva para a autoestima, maior satisfação e melhor qualidade de vida.


Mais uma sugestão: releia as 12 atitudes desta lista, analise o quanto cada uma delas está presente na sua vida. Pode começar essa mudança hoje como também pode procurar ajuda para as mudanças mais desafiantes.


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