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O Carnaval e as crianças: Medo, fantasia ou fobia?

Atualizado: 28 de mar. de 2023



O Carnaval e as crianças: fantasia, medo ou fobia?

Por excelência, o Carnaval é uma época em que a fantasia é vivida de forma festiva. É um período de exuberante alegria, uma oportunidade para sair de si e entrar em algo ou alguém bem diferente, romper preconceitos, quebrar rotinas.

Usam-se máscaras, disfarces, ocultam-se os aspetos da imagem, dissimula-se a realidade. Para uns, este aspeto do Carnaval é o que lhe dá o verdadeiro encanto, para outros é fonte de medo, causa de fobia.


A fobia em relação ao uso de máscaras (masklophobia na Língua Inglesa) define-se como um medo irracional de máscaras, pessoas disfarçadas e/ou mascotes. Este medo é comum nas crianças e os seus sintomas são frequentes nos seus primeiros anos de desenvolvimento, tipicamente entre o nascimento e os 8 anos de idade. Alguns destes sintomas são: sudação excessiva, taquicardia, gritar, tremer, chorar, esconder-se, fugir da pessoa disfarçada, entre outros. Estes sintomas podem fazer parte de um quadro de ataque de pânico que poderá ocorrer nas imediações de alguém mascarado.


No período do Carnaval, assim como do Halloween, é frequente a exibição destes sintomas, contudo é importante sublinhar que estes medos fazem parte do desenvolvimento normal de uma criança. Efetivamente, o uso de máscaras ou de disfarces impossibilita a criança de verificar se a pessoa constitui ou não uma ameaça, por não poder percecionar a sua verdadeira expressão facial. Outro motivo poder-se-á prender com o facto de a criança estar habituada à figura ficcional que vê, por exemplo, na televisão, e não conseguir distinguir a fantasia da realidade quando deparada com o personagem ficcional de tamanho humano. Por outro lado, por estarem acostumadas e aconselhadas a evitar o contacto com estranhos na rua, as crianças podem sentir-se confusas ao serem convidadas a confraternizar com pessoas mascaradas que lhe parecem estranhas e, por isso, receá-las. Porém, será natural que estes sintomas reduzam pela idade dos 6 anos, período em que as crianças começam a desenvolver capacidades avançadas de reconhecimento facial e que, pela idade adulta, desapareçam completamente, com o desenvolvimento completo e maduro destas capacidades.


Apesar de considerados normais, estes medos não devem condicionar a rotina familiar, ou seja, a família não deve evitar contextos e situações em função do medo da criança. Ainda, na situação de medo extremo acompanhada de compromisso severo do dia a dia da criança, a intervenção psicológica tem soluções mais permanentes que poderão passar, por exemplo, pelo recurso a técnicas de exposição, as quais deverão ser aplicadas por um profissional de saúde qualificado.

Alguns conselhos poderão ser úteis no caso de ter um filho ou familiar com um medo excessivo de máscaras, pessoas disfarçadas e/ou mascotes:

  • Mantenha-se calmo, em primeiro lugar. É natural que tenha urgência em retirar a criança com medo ou fobia da situação fóbica, mas essa fuga só irá reforçar o medo e a fobia. Não minimize os medos da criança – compreenda-os e aceite-os, só assim conseguirá manter-se calmo;

  • Crie situações em que possa expor a criança à sua fobia, por exemplo, em brincadeiras em que pinta a sua cara e lhe permite perceber que é a mesma pessoa, com ou sem disfarce. Faça-o de forma lenta e progressiva. Se em algum ponto perceber que a criança está marcadamente ansiosa, recue, remova parte do disfarce;

  • Prepare os momentos em que a criança poderá ter de contactar com disfarces. Em festas, por exemplo, convide pessoas familiares a usar algum tipo de disfarce, como chapéus ou acessórios. Deste modo, a criança habituar-se-á ao conceito de fantasia, já que conhece as pessoas que estão a usar disfarces. Envolva a criança nas festividades em que se usam máscaras e disfarces, converse com ela sobre o quão divertida a ocasião é, frisando sempre a distinção entre realidade e fantasia.

Com estes conselhos em mente, desejamos que tenha um alegre Carnaval! Contudo, não se detenha de procurar ajuda profissional se sentir que o seu caso, ou o de alguém próximo, excede o que é considerado normativo.

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