Red flags? Fico ou fujo?!


Conhecer e nos envolvermos com uma pessoa nova da qual gostamos é incrível. É especial e sentimos que podemos conquistar o mundo. Finalmente tudo se está a alinhar e estamos a viver o nosso próprio conto de fadas. Passamos as noites acordados a conversar, sonhamos acordados com ela e passamos o resto do tempo a contar os minutos que faltam para a rever.


O ser humano está biologicamente programado para se conectar com outros seres humanos. E quando isso acontece, oxitocina é libertada no nosso cérebro. Existe também uma maior libertação de dopamina que nos faz sentir mais felizes. Por estes motivos, tendemos a minimizar os aspetos negativos e a maximizar os aspetos positivos. Mas, é também nesta fase que devemos estar atentos àquilo que chamamos de “red flags”.


Numa altura em que se fala cada vez mais abertamente sobre comportamentos abusivos em relacionamentos amorosos, nada melhor do que estar atento desde o início. Atenção que numa primeira fase da relação, será mais difícil encontrarmos e reconhecermos comportamentos que a longo prazo se podem mostrar como abusivos.


A qualidade das nossas relações têm um grande impacto na nossa qualidade de vida e bem-estar. Quando falamos de relações temos de compreender que existe um espectro que varia entre o saudável, o não-saudável e o abusivo.


Relações saudáveis são aquelas em que nos sentimos conectados, seguros, apreciados, valorizados e empoderados. Relações não-saudáveis são imprevisíveis e têm por base a co-dependência. Nestas sentimo-nos incompreendidos, inseguros e pouco valorizados. Relações abusivas são perigosas e danificam-nos. Nelas sentimo-nos extremamente isolados e sem valor.


Se começarmos logo desde o início a identificar as “red e green flags”, podemos perceber se vale a pena insistirmos ou não numa relação que pode ou não ser saudável para nós. As “red flags” são sinais de alerta. Estes sinais podem surgir como uma “sensação” intuitiva de que algo não está bem. Por vezes, estes “alertas vermelhos” podem ser menos extremos e outros podem evoluir ao longo do tempo. Eles podem variar entre o “não vás por aí!” até ao “foge já!”, dependendo da gravidade do comportamento.


Red flags a que deves estar atento:

- Comportamento violento: se a pessoa com quem te estás a envolver demonstra algum tipo de comportamento violento contra ti, outra pessoa ou animais, este é um alerta vermelho sério. Pode indicar que esta pessoa não consegue expressar as suas emoções de um modo saudável.


- Mentiras constantes: se percebes que o teu companheiro está a ser desonesto contigo, não é um bom sinal. Todos nós dizemos “mentiras brancas”, mas se notarmos que o nosso parceiro está constantemente a enganar-nos, é um alerta. Sentir que estamos a ser enganados constantemente torna difícil a construção de uma relação sólida.


- Sentes-te rebaixado constantemente: Um parceiro que nos critica frequentemente ou que nos rebaixa, mesmo que seja de forma subtil, pode afetar a nossa autoestima. É uma forma de abuso psicológico. (Abuso psicológico é tao ou mais prejudicial do que o abuso físico!!).


- Resistência ao compromisso: Se o seu companheiro não está disposto a se comprometer, mesmo nas coisas mais pequenas do vosso dia-a-dia, atente-se. Estar numa relação com alguém numa relação unilateral pode levar a que desenvolvamos sentimentos de mágoa, ressentimento e insatisfação. Queremos uma relação assim??


- Tendência para fugir de conversas sérias: Se o seu companheiro tende a evitar discutir assuntos que são fulcrais, se evita discutir racionalmente questões emocionais que vos têm afetado, pode significar que a não tem a mesma maturidade emocional e, portanto, será difícil manter uma relação sem comunicação.


- Postura controladora e ciúmes excessivos: Se o seu companheiro é muito invejoso, pode levar a que no futuro apresente uma postura controladora. Um parceiro ciumento pode fazê-lo sentir sufocado com chamadas e mensagens de texto. Pode também levar a que se afaste dos seus amigos e familiares.


- Inconsistência: Uma relação saudável deve-nos fazer sentir seguros e consistentes, não como se vivemos numa montanha-russa. Um comportamento inconsistente pode ser indicador de que esta nova pessoa poderá não ser um parceiro em quem possamos confiar.

Os relacionamentos são complicados. Ponto. Eles exigem comprometimento, trabalho, honestidade, vulnerabilidade e acima de tudo, comunicação. Claro que todas as relações são diferentes uma vez que todos temos necessidades diferentes. Mas, dificilmente uma relação será saudável se não existirem pilares bem assentes, desde o início.


Atente ao que o seu instinto lhe diz. “Será que isto vai resultar?”. Se a sua resposta for “não”, então saia dessa relação. Não se force a estar numa relação onde não se sente seguro.


Se ainda não tem bem a certeza de como se sente nesta relação, tente pensar racionalmente: avalie os seus próprios padrões de comportamento e o tipo de relacionamentos em eu se envolve geralmente; defina para si quais são os limites que podem ser negociados ou aqueles que não está disponível a aceitar; defina para si próprio o que precisa para se sentir seguro e valorizado. Partilhe as suas dúvidas com o seu sistema de suporte, o insight deles pode ajudá-lo a criar alguma distância e a ver as coisas de uma outra perspetiva.


Para terminar, atente que nem todas as “red flags” são indicadoras de que o relacionamento não irá funcionar, mas definir e compreender quais são os limites que você não está disponível a cruzar podem-no ajudar a desenvolver melhores relações para si mesmo. Não se esqueça de se perguntar a si mesmo “Sinto-me seguro nesta relação?”. Se a resposta for “não”, então fuja!

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