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O seu guia de psicofármacos - O que é importante saber

Atualizado: 6 de jan. de 2022


O sofrimento faz parte da vida.

Dito isto, existem situações e predisposições individuais que podem conduzir a que este sofrimento seja insuportável ou muito difícil de gerir. E daí, alguma perturbação mental poderá mesmo surgir como resposta adaptativa do organismo (como um todo mente-corpo conectado) de tentar lidar com isso. Essa resposta, tendo a intenção de proteger a pessoa, tende a prolongar o sofrimento a longo prazo e torna-se disfuncional.

Muitas pessoas, mesmo sob sintomas graves de sofrimento psíquico intenso, sentem receio de tomar algum tipo de medicação psiquiátrica.

Este artigo pretende apresentar os tipos de psicofármacos mais usados em todo o mundo. Os mais comuns procuram habitualmente aliviar os sintomas de ansiedade e depressão que acabam por estar associados quase sempre a algum quadro de perturbação mental.

O que é um Psicofármaco?

Os psicofármacos distinguem-se dos outros tipos de medicamentos por obrigatoriamente atuarem no sistema nervoso central (SNC). Por afetarem os processos mentais, alteram a percepção, emoções e comportamentos dos pacientes. Estes fármacos deprimem ou estimulam seletivamente as diferentes ações do SNC com o objetivo de aliviar os sintomas e não eliminá-los (não funcionam como uma cura!). Além do mais, a maior parte das alterações que uma perturbação mental imprime no cérebro não são conhecidas.

Principais Tipos de Psicofármacos:

  • Antidepressivos

  • Ansiolíticos e Hipnóticos

  • Antipsicóticos

  • Estabilizadores de Humor

Para cada medicamento existem alguns efeitos adversos esperados e comuns e outros que dependem da reação individual de cada pessoa. O benefício sentido com alguns psicofármacos pode surgir mais tarde do que os efeitos indesejáveis, o que pode dificultar a adesão à medicação. Para cada situação devem ser pesados os riscos e benefícios, decisão que deve compartilhar com o seu médico.

O tempo de tratamento com este tipo de medicação varia de seis, nove meses a um ano.


Efeitos Terapêuticos e Efeitos Colaterais

Os psicofármacos (e as drogas em geral) atuam em múltiplos locais e não apenas naquele que se considera ser o mais desejável. Do ponto de vista terapêutico, a sua ação tende a originar efeitos diversos:

  • Aos desejáveis chama-se efeitos terapêuticos

  • Aos indesejáveis chama-se efeitos colaterais, secundários, adversos

Chamar aos efeitos de uma droga “terapêuticos” ou “adversos” é simplesmente uma questão de conveniência - em psicofarmacologia abundam os casos de fármacos cujas reações adversas são “reutilizadas” para fins terapêuticos. Foi aliás assim que muitos dos medicamentos que hoje consideramos terem efeitos desejáveis no alívio de sintomas de perturbação mental foram “descobertos”. Por exemplo, um medicamento que estava a ser criado com o intuito de ser anestésico percebeu-se que tinha a potencialidade de “relaxar” o corpo e travar reações de ansiedade no corpo e assim passou a ser usado como ansiolítico.

Antidepressivos

Os antidepressivos são medicamentos aprovados para aliviar doenças como a depressão, a ansiedade e as perturbações obsessivo-compulsiva e do comportamento alimentar.

Os antidepressivos aumentam ou prolongam a atividade de neurotransmissores, como a serotonina e a noradrenalina, hormonas envolvidas na regulação do humor. A maioria dos antidepressivos demora 3-4 semanas a ter algum benefício, embora algumas pessoas possam senti-lo antes disso. Naturalmente, as pessoas desejam sentir os efeitos da medicação de imediato, mas os antidepressivos não funcionam assim. É fundamental aguardar e ter persistência durante o início do tratamento.

Ansiolíticos e Hipnóticos

Os ansiolíticos e hipnóticos, também conhecidos como “calmantes” são medicamentos utilizados em situações pontuais de ansiedade ou de dificuldade em dormir. Nestes incluem-se as benzodiazepinas. Apesar de proporcionarem um alívio imediato, não são dirigidos à causa do sintoma. Estes medicamentos estão associados a um risco de dependência, pelo que devem ser utilizados apenas por um curto período de tempo. Quando tomados de forma regular vão perdendo o seu efeito, havendo necessidade de aumento da dose. São também conhecidos efeitos secundários importantes quando tomados em altas doses durante muito tempo, como os défices de memória.

O rivotril é uma das famosas benzodiazepinas que muita gente traz na carteira e toma diante de angústia/sofrimento emocional. Trata-se de uma substância que desliga o sistema nervoso central, gerando uma sensação instantânea de relaxamento”, explica a psiquiatra Anny Mattos da Universidade do Rio de Janeiro. Uma geração de medicamentos pós-Rivotril tem por base o diazepam que aumenta a libertação de serotonina, uma hormona conectada com a sensação de bem-estar.

Antipsicóticos

Os antipsicóticos, tal como o nome sugere, são medicamentos utilizados no tratamento de sintomas psicóticos. Estes sintomas podem estar presentes num grande número de doenças, tais como a esquizofrenia, a perturbação bipolar, a demência com características psicóticas, entre outros. Estes medicamentos são também eficazes no controlo da agitação, da desorganização do comportamento, da impulsividade e da agressividade.

Estabilizadores do Humor

Os estabilizadores do humor são medicamentos que ajudam na regulação do humor, ou seja, do estado de ânimo da pessoa. Permitem controlar as oscilações extremas de humor, como as que ocorrem nas pessoas com perturbação bipolar.<