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Setembro Amarelo: Prevenindo o Suicídio



Todos os anos, cerca de um milhão de pessoas cometem suicídio. Este tema, ainda um grande tabu na nossa sociedade, é pouco discutido, sendo até chamado de “epidemia silenciosa”. Por este motivo, foi criada a campanha de consciencialização Setembro Amarelo para a prevenção do suicídio.

A primeira medida preventiva? A educação.

Existem muitos mitos sobre o suicídio. É importante diferenciá-los da realidade.


Mito 1: Quem tenta ou comete suicídio tem sempre alguma perturbação mental

Talvez este seja o mito mais comum. Existe a ideia de que o suicídio é necessariamente o sintoma de uma perturbação mental. Contudo, há casos em que nenhuma perturbação foi detectada.


Mito 2: O suicídio é sempre impulsivo e sem aviso

O suicídio pode ser ponderado durante algum tempo. Muitas pessoas comunicam algum tipo de mensagem verbal ou comportamental sobre intenções de fazerem mal a si mesmas. Cerca de 81% das pessoas que tentam suicídio comunicam as suas intenções, avisando como e quando planeiam suicidar-se.


Mito 3: Os suicidas querem mesmo morrer e estão decididos

A maioria das pessoas que considera o suicídio partilha os seus pensamentos com pelo menos uma pessoa, liga para um contacto de emergência ou para um médico, antes da tentativa efetiva. Isto pode mostrar ambivalência e incerteza na vontade de terminar a própria vida.


Mito 4: Quem fala de suicídio só quer chamar a atenção

Existe a crença de que as pessoas que falam sobre suicídio não farão mal a si próprias, pois só querem atenção. A maioria das pessoas que se suicida fala ou dá sinais das suas ideias previamente. Por isso, ameaças devem ser levadas muito a sério e não ser desvalorizadas.


Mito 5: O suicídio só acontece com certo tipo de pessoas

A realidade é que pode acontecer com todas as pessoas e encontra-se em todos os sistemas sociais, culturais e familiares.


Mito 6: As crianças não cometem suicídio

Há um mito de que as crianças são cognitivamente incapazes de realizar um ato suicida. Infelizmente, embora seja raro, as crianças cometem suicídio. Por isso, qualquer gesto em qualquer idade deve ser levado muito a sério.


Mito 7: Falar de suicídio pode aumentar o risco de suicídio

Pelo contrário. Falar de forma aberta e discutir este tema pode diminuir a angústia e o sofrimento que os pensamentos suicidas causam. No seguinte link, pode ser ouvido um relato de uma adolescente que sobreviveu ao suicídio, revelando a importância de falar sobre este tema: https://www.youtube.com/watch?v=sRo5Db_7yVI&t=5s


Depois de algumas ideias gerais serem desmistificadas, quais são, afinal, os sinais de alerta aos quais devemos prestar atenção?


  1. Histórico de tentativas de suicídio prévias

Este é o principal fator de risco para o suicídio e pode aumentar em 5x a probabilidade de outra tentativa.


  1. Presença de perturbações mentais

As perturbações mais comuns associadas ao suicídio são as perturbações do humor, tais como depressão e bipolaridade. O suicídio está ainda associado ao uso de drogas lícitas ou ilícitas, esquizofrenia, e perturbações da personalidade. Quanto mais diagnósticos a pessoa tiver, maior o risco de cometer suicídio.


  1. Ideação suicida

Importa estar atento a comentários que demonstrem desespero, desesperança, ou desamparo, como “quem me dera nunca ter nascido” ou “preferia estar morto”. Para algumas pessoas, a morte pode ser vista como “uma solução para encontrar descanso” ou de “acabar com a dor/tristeza”.


  1. Fatores de stress crónicos e recentes

Eventos de muito stress, tais como uma experiência de divórcio, migração, perda de uma pessoa significativa, estão associados ao aparecimento de pensamentos suicidas.


  1. Impulsividade