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Treino cognitivo – O cérebro também deve ir ao ginásio



O envelhecimento é um processo inevitável que iremos enfrentar ao longo da vida. De facto, pode haver inúmeros focos de envelhecimento no nosso corpo, nomeadamente as nossas funções cognitivas. Por detrás dos declínios cognitivos pode estar, por vezes, associada uma condição psicopatológica como por exemplo, um tipo de demência. Alguns dos sinais a ter atenção são por exemplo: esquecer-se como se usa um determinado objeto ou como se chega a um sítio familiar; não lembrar de partes da história sobre um evento importante ou ainda falhas na descrição do que se fez no dia.


Não havendo uma cura para o envelhecimento, a ciência tem vindo a dirigir o seu foco para todos os bons exemplos de envelhecimento, tanto a nível físico como cognitivo, observando com detalhe os fatores protetores que podem ser adotados no estilo de vida de uma pessoa, de forma a prevenir o envelhecimento de forma acentuada.

O nosso cérebro é uma autêntica “máquina”, que tem a capacidade de se mudar e adaptar ao longo da vida (neuroplasticidade), consoante o tipo de evento que vamos experienciando, no entanto, realça-se o exercício físico e a estimulação cognitiva como dois focos favoráveis para o seu desenvolvimento.


Ao longo do nosso dia, realizamos tarefas que envolvem estimulação cognitiva, como decorar a lista de ingredientes a comprar no supermercado, sabermos o nosso número de telemóvel, conseguirmos associar os sinais de trânsito à regra que representam, etc… No entanto, é de sublinhar que também é possível estabelecer uma sequência de tarefas que, repetidas com frequência, servirão como uma ajuda adicional para atrasar o declínio cognitivo.

É neste contexto que surge a intervenção através do treino cognitivo, normalmente integrado em plataformas digitais, nas quais é possível interagir com inúmeros jogos que estimulam cada um dos domínios das funções cognitivas (orientação, atenção, memória, cálculo, linguagem, raciocínio, funções executivas, entre outras).

Um exemplo é o Cogweb (https://www.cogweb.pt/), uma plataforma online que permite a realização de um vasto conjunto de exercícios. Esta ferramenta está sob supervisão especializada e é dirigida aos diferentes domínios cognitivos referidos e a diferentes faixas etárias.


Outra plataforma com evidência científica é a BrainHQ (https://v4.brainhq.com/), que inclui exercícios que trabalham cinco categorias principais (atenção, velocidade de processamento, memória, competências sociais e inteligência).

A um nível mais prático, a literatura tem demonstrado que um treino diário que envolva exercícios de aritmética e de leitura tem efeitos positivos na nossa velocidade de processamento mental.


São ainda inúmeros os estudos que comprovam o efeito do treino cognitivo, tanto através de resultados de avaliações neuropsicológicas, como através de dados de neuroimagem, nos quais foi possível verificar que o treino cognitivo induz determinadas ativações de partes importantes do nosso cérebro. Estas ativações, mantidas a longo prazo, constituem-se como um benefício significativo para pessoas mais velhas.

Numa sociedade onde a população está cada vez mais envelhecida, mas em que existem condições para uma pessoa viver até mais tarde, é preciso adotar rotinas que protejam as nossas capacidades cognitivas e nos permitam ter um envelhecimento mais saudável e maior qualidade de vida.


Referências:

Bherer L. (2015). Cognitive plasticity in older adults: Effects of cognitive training and physical exercise. Annals of the New York Academy of Sciences, 1337, 1–6. https://doi.org/10.1111/nyas.12682

Gates, N., Valenzuela, M. (2010). Cognitive exercise and its role in cognitive function in older adults. Current Psychiatry Reports, 12, 20–27. https://doi.org/10.1007/s11920-009-0085-y

Kawashima R. (2013). Mental exercises for cognitive function: Clinical evidence. Journal of Preventive Medicine and Public Health, 46, 22–27. https://doi.org/10.3961/jpmph.2013.46.S.S22