Sabe ser autocompassivo?



Para a maioria de nós, sentir compaixão pelos outros surge naturalmente. Quando percebemos que um ente querido ou um amigo está em sofrimento, naturalmente sentimos empatia e queremos ajudar a aliviar a sua dor.

Porventura, aprendemos a ser críticos em relação a nós mesmos. Talvez por acharmos que merecemos essas críticas (eventualmente por termos recebido duras críticas após termos cometido erros no passado) e/ou que a autocrítica é o que nos permite permanecer atentos e em constante melhoria e autoaperfeiçoamento. Como se para crescer, aprender e ser melhores, precisássemos desta atitude.

Não é tão fácil sermos compassivos connosco próprios na mesma medida em que o somos com os outros.

Podemos julgar-nos duramente quando sentimos que cometemos um erro ou culpar-nos quando algo fora do esperado ocorre nas nossas vidas. Contudo, se estivessemos a conversar com um amigo sobre a mesma situação, provavelmente teríamos uma postura muito mais compassiva, mesmo sentindo que o nosso amigo tinha cometido um erro.

E este é um exercício muito útil que podemos fazer individualmente. Tão simples como colocar a nossa situação numa outra pessoa, ou seja, imaginar que é a outra pessoa que se encontra a passar por aquilo que estamos a passar - neste espaço da imaginação, a nossa mente permite-nos automaticamente ganhar distância do problema e somos capazes de nos sentir de forma diferente em relação a ela.

Note a diferença. Repare se não surgem pensamentos diferentes aos que tinha antes, em relação a esta (hipotética) pessoa que está a passar por uma dada dificuldade ou que está a sofrer.

A autocompaixão está relacionada com o reconhecimento de que estamos a experienciar dificuldades e a sofrer, e com o desenvolvimento de uma atitude de maior amizade para connosco mesmos nesses momentos.

Algumas pessoas pensam que sem a autocrítica passarão a cometer mais erros, o que as assusta.

Mas a autocompaixão não significa que se deva resignar à situação, de maneira nenhuma. Ou desleixar-se.


Naturalmente, poderá continuar a ter o desejo de fazer as coisas de forma correta em qualquer papel que desempenhe. Mas, a verdade é que se for capaz de olhar para si de uma forma mais compassiva, poderá ser mais fácil agir de acordo com os seus valores, e melhorar, aprendendo com as suas falhas, sem o peso desnecessário da autocrítica.


A autocompaixão envolve, então, três etapas:

1. Trazer uma consciência mindful ao seu sofrimento: “Este é um momento de sofrimento.” Observe quaisquer reações habituais, especialmente o autojulgamento.


2. Lembrar-se de que o sofrimento o conecta com as outras pessoas: “Todas as pessoas sentem dificuldades, cometem erros ou arrependem-se. Sentir isto é humano. Todas as pessoas sofreram em algum momento”.


3. Trazer bondade a si mesmo: Por exemplo, dizendo: “Estou aqui para ti, neste momento difícil” (pode também escolher as suas próprias palavras) ou tentando confortar-se fisicamente, fazendo algo ou dando-se algo que ajude a tranquilizar.

Leve este ensinamento de hoje para a sua vida e dê uma oportunidade a esta prática.

A autocrítica é um peso que não precisa de carregar.

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